Será que por trás do lucro que elas parecem trazer, a monocultura e as recentes inovações trazidas ao mercado não têm desvantagens?

o grupo fez um excelente relatório, parabéns pela complexidade exposta com pouquissimas observações A

INTRODUÇÃO
Fizemos no início do ano um estudo aprofundado sobre a urbanização das cidades. Vimos que fatores econômicos e tecnológicos ocorridos ao longo da história, no mundo e no Brasil, modificaram as formas de urbanização sofridas pelas diversas cidades de determinados países. Com base nos dados obtidos através das aulas em classe, pesquisas e discussões realizadas, pudemos concluir que a urbanização não ocorreu da mesma forma em todos os lugares do mundo, podendo variar em duração, intensidade, forma como foi organizada, entre outros aspectos. Vimos também que mudanças nos meios urbanos, como o aumento de emprego e possibilidades de renda, maior acesso a serviços públicos, etc., somados a fatores de mudanças no campo como, por exemplo, a substituição parcial da mão-de-obra humana por máquinas, a perda da competitividade em relação a produção entre pequenos produtores e grandes produtores (fazendo com que, em alguns casos, estes primeiros fossem, de certa forma, obrigados a vender suas terra aos segundos), entre outros fatores que contribuiram para o chamado êxodo rural, confirmando assim a idéia de que mudanças e alterações no campo interferem nas cidades e vice-versa. A compreeensão das mudanças ocorridas no campo pareceu fuindamental para um melohor estudo sobre a urbanização nas cidades, e assim começamos o projeto de estudos sobre a reforma agrária e os acontecimentos das áreas rurais brasileiras.Será que o processo pelo qual a distribuição de terras no mundo passou foi, e ainda é, idêntico em todos os países? Há relação entre as mudanças ocorridas no campo e na cidadde com a migração das áreas urbanas para áreas rurais, ou vice-versa? Numa tabela analisada em sala de aula vimos que, no Brasil, ainda existe uma predominância numérica de pequenas propriedades rurais sobre aquelas de grande porte, porém o inverso ocorre quando levada em consideração a área total ocupada pelos dois tipos de propriedade. O que faz com que estes pequenos agricultores permaneçam na terra? E qual a importância deles para a economia do país? E qual a importâcia econômica dos produtores rurais de grande porte? Por que existe esse contraste na ocupação do território onde há "muito nas mãos de poucos e pouco nas mãos de muitos"? Que consequêcias sociais/ambientais/econômicas isso gera?

Para que pudessemos responder tais perguntas, iniciamos nosso projeto, assim podendo nos aprofundar e refletir a respeito das questões previamente citadas e, por fim, argumentar a respeito de nossas idéias sobre o assunto tratado. Este ralatório apresenta as hipóteses iniciais acerca do tema referente à monocultura e à agricultura familiar no país e as conclusões que foram atingidas após todo o trabalho, que incluiu desde estudos feitos em sala de aula e palestras até entrevistas realizadas no campo com diversas pessoas, desde trabalhadores ruraisassentados até administradores de grandes fazendas, permitindo assim diferentes perspectivas e abordagens do tema. Para realizar as entrevistas, visitamos dois locais: o primeiro, localizado na cidade de Sumaré, a 115km da cidade de São Paulo, foi o Assentamento de Sumaré 1, que possui, ao todo, uma área de 237,58 hectares. Já o segundo, foi a Fazenda Santa Elisa, localizada no município de Santo Antônio de Posse, a 150km da cidade de São Paulo. Foram feitas perguntas para pequenos agricultures, com idade entre quinze e sessenta anos, do Assentamento de Sumaré, e também para trabalhadores da Fazenda de Santa Elisa, uma grande produtora que cultiva principalmenre citrus, mas também milho, entre outros. Além disso, as entrevistas também permitiram, depois de sistematizadas, uma análise que levou às conclusões finais e confirmação ou não das hipóteses iniciais acerca do tema.

Com base nos conhecimentos prévios sobre monocultura e agricultura famliar, além do fato de que já havíamos tomado conhecimento que ambas estão presentes, hoje, nos meios brasileiros de produção rural, fomulamos duas hipóteses que se sobressairam dentre várias ponderações a respeito do que encontraríamos ao chegar no campo pelo fato de serem mais plausíveis. Primeiramente, achávamos que a maioria dos trabalhadores rurais entrevistados, tanto da fazenda quanto do assentamento, posicionariam-se de maneira favorável à prática da monocultura, já que esta pode ser considerada uma atividade mais lucrativa para os agricultores. Também pensamos no fato, e aí entra nossa segunda hipótese, de que a monocultura traz inúmeros benefícios para o produtor em relação ao lucro obtido, mas acaba se tornando, em contrapartida, prejudicial ao meio ambiente, principalmente devido a possível excassez do solo, e à comunidade, gerando problemas sociais como desigualdade e pobreza para muitas famílias. As entrevistas serão uma grande base para os raciocínios desenvolvidos pelo grupo, e as análises feitas a partir delas que confirmarão ou não nossas idéias iniciais a respeito da monocultura e da agricultura familiar e, a partir disso, permitirão nossas conclusões finais sobre o tema.
grupo belíssima introdução

DESENVOLVIMENTO
As entrevistas consistiam de perguntas pessoais e objetivas, a respeito da fazenda / assentamento, administração dos mesmos, a opinião dos entrevistados em relação ao trabalho, seu posicionamento, favorável ou não, em relação à monocultura e aos alimentos geneticamente modificados, à mecanização do campo e à importância dada à agricultura familiar. Cada pergunta tinha como objetivo a comprovação ou não nossas hipóteses, ou simplesmente uma maior a mais abrangente compreensão, mesmo que ainda parcial,do homem rural e sua vida cotidiana, que alterou nossa concepção do homem do campo como sendo o "homem com a enxada nas mãos", já que as fazendas dos grandes produtores se mostraram com um elevado grau de mecanização, com a tecnologia presente de maneira muito significativa. Ainda que existam trabalhadores e fazendas que utilizem principalmente ou quase exclusivamente mão-de-obra humana, não se pode excluir a idéia de que as máquinas vêm substituindo o homem no campo pelo fato de fornecerem maior rendimento, e consequentemente um custo de produção muito mais baixo por necessitarem apenas um operário para controlar a máquina. O alto custo das máquinas é compensado por esse maior rendimento e elas, por tanto, geram mais lucro, agilizando o serviço e fazendo-o mais eficiente. A utilização das máquinas está fortemente relacionada à monocultura, já que é nas grandes fazendas praticantes da monocultura que a mecanização aparece mais. Uma das coisas mais interessantes que pudemos observar com a nossa saída em contato com o campo foi que conseguimos encontrar muitos pontos de vista em relação as mudanças do campo. A maioria respondeu que uma das mudanças mais marcantes foram que a tecnologia avançou, o que ajudou muito na produção como surgimento das máquinas. Com isso houve muita substituição da mão-de-obra, assim muitos ficaram desempregados e foram para as cidades, o que ajudou para o êxodo rural. A partir dessa questão, concluímos que todos os entrevistados acham que houve muitas mudanças no campo, o que geraram modificações no rendimento de seus respectivos produtos para melhor.

Ao nos depararmos com os resultados referentes às perguntas relacionadas à monocultura, foi possível perceber que esta, mesmo sendo uma possibilidade tanto para fazendas pequenas (como por exemplo no assentamento) quanto para fazendas grandes, é geralmente praticada nas grandes propriedades, onde há maiores investimentos nas respectivas produções devido, por exemplo, ao alto custo do equipamento uitilizado. Esses investimentos nas produções, que são em grande escala e muitas vezes visam a exportação de grande quantia do produto que muitas vezes é o único cultivado, são compensados com o alto lucro pessoal, que é maior nessas fazendas monocultoras do que nas propriedades médias ou pequenas. Ao perguntarmos sobre a agricultura familiar e sua importância, recebemos de certa forma, uma resposta surpreendente: a maioria acredita que a agricultura familiar é tão importante quanto as grandes fazendas, se não mais importante que elas, pois os latifúndios de produção monocultora estão, na maioria das vezes, voltados para o mercado externo, enquanto que a agricultura familiar, além de gerar certa renda para a família produtora, possui uma participação muito significativa para o mercado interno, pois é ela que irá vender os alimentos não só para as regiões urbanas do país, mais também para as regiões rurais, inclusive para as grandes fazendas.
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Policultura no assentamento 1
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monocultura na fazenda Santa Eliza

Uma de nossas hipóteses iniciais, já mencionada, dizia respeito a isso: pensávamos que os pequenos agricultores, tanto quanto os grandes, seriam a favor da monocultura, já que os produtores podem se beneficiar a partir dela. No entanto, os agricultures do assentamento apontaram diversas desvantagens que vêem com relação à monocultura. A maior parte dos assentados entrevistados parece cultivar uma variedade de espécies consideravelmente grande, e o motivo parece não ser simplesmente o fato de que a monocultura pode trazer danos para o solo, algo que já sabíamos que acontece e que foi inclusive apontado pelos trabalhadores da Fazenda de Santa Elisa. Mais de um entrevistado do assentamento disse que, em épocas em que um ou outro alimento está com valor baixo, ou seja, quando a venda de certo produto estiver rendendo menos, é bom que haja outros produtos a serem vendidos. Isso quer dizer que, para o pequeno agricultor, a agricultura MONOCULTORA não é a melhor opção, e nas propriedades pequenas a policultura é vista como algo mais vantajoso. Apesar de acreditarem na importância da monocultura, que vários dos entrevistados disseram estar muito relacionada à renda obtida a partir da exportação de alimentos produzidos nas grandes fazendas, os assentados de maneira geral parecem acreditar na agricultura familiar como em algo tão ou mais importante que essas grandes produções. As várias familias ganham sua renda com a produção de diversos alimentos, tendo assim comida com produtos variados e as vezes vendem os alimentos para feirantes que vieram, supostamente, de cidades mais urbanizadas.
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trator (máquina) que acerela as produçoes na fazenda Santa Eliza

Juntamente com todas as perguntas sobre a monocultura, a policultura e a agricultura familiar, fizemos questionamentos sobre outro assunto polêmico: as sementes transgênicas, sempre extremamente relacionadas com a monocultura. Percebemos que as pequenas fazendas não utilizam esse produto, e muitos trabalhadores nem sabem o que são, Enquanto isso, na Fazenda Santa Elisa, considerada uma grande propriedade, o assunto é encarado de maneira diferente, algo que já era, de certa forma, esperado. Ainda havia trabalhadores que não conheciam as sementes transgênicas, mas estes apareciam em índice bem mais baixo, e mesmo os que não tinham muito conhecimento a respeito pareciam sempre acreditar nelas como algo bom sem grandes desvantagens. Apesar de, neste momento, não as usarem, parecem estra começando a investir nas sementes transgênicas, devido à concordância com esse tipo de benefício, desde que seja implantado corretamente.

Com a continuação das entrevistas, com perguntas que já não mais pediam opiniões aos entrevistados, mas agora procuravam uma confirmação ou não para a segunda hipótese elaborada pelo grupo, que era, como mencionamos antes, relacionada ao fato de que a monocultura é economicamente vantajosa para seu produtor mas nociva ao meio ambiente e prejudicial à sociedade como um todo, percebemos que mesmo os trabalhadores da Fazenda de Santa Elisa, que se encontram na posição daqueles que lucram com a monocultura, pareciam admitir, mesmo que até inidretamente, os danos causados por esta. Isso porque não gostavam de dizer que a Fazenda era monocultora, preferindo dizer, apesar da mínima parte da fazenda dedicada a culturas diferentes da do citrus e e dos planejamentos para que daqui a alguns anos toda a área seja tomada pela plantação de citrus, que lá praticavam policultura. Os trabalhadores de lá falavam dos danos da monocultura ao solo e ao ambiente de maneira semelhante à dos assentados, apesar das posições completamente diferentes, o que confirmou para o grupo a hipótese pensada anteriormente: os danos que o grupo supunha existirem, causados pela prática de monocultura, se provaram realmente presentes, e mesmo os beneficiados pela monocultura reconhecem os problemas causados pela mesma, o que mostra a extensão dos possíveis danos e o fato de que eles não podem ser ignorados.

CONCLUSÃO
Como mencionamos ao longo desse texto, até as pessoas que dizem ser a favor da monocultura são obrigados a admitir que esta possui desvantagens e, por outro lado, muitas reconheceram a importância da agricultura familiar para as questões agrárias, agrícolas, sociais, ambientais e ecônomicas. A monocultura e as grandes propriedades apresentam, uma vez que essa questão seja investigada mais a fundo, inúmeras desvantagens. Um número menor que o esperado antes de nossas pesquisas se mostrou completamente a favor da monocultura, e ficou claro para o grupo, depois ds análise das entrevistas, e de vermos nós mesmos o que realmente acontece nas zonas rurais do país, que esta traz benefícios para alguns poucos, e pode gerar a todo o resto da sociedade brasileira, prejuízos de vários tipos, desde melefícios causados ao meio ambiente até sérias consequências socias no campo e, eventualmente, nas cidades. Com todas essas informações pudemos concluir também que a monocultura é, no caso da maioria dos pequenos e médios produtores, impraticável, pois os custos adicionais devido a, por exemplo, o gasto excessivo do solo e eventuais pestes e pragas, impossibilitam o lucro destes proprietários. Com isso ela acaba tornando-se mais restrita às grandes propriedades, que totalizam cerca de 45% de toda a área ocupada por propriedades rurais no Brasil, o que aumenta os problemas com, por exemplo: o desemprego, já que tais propriedades monocultoras substituem a maior parte da mão-de-obra por máquinas; a agressão ao meio ambiente, já que o uso de agrotóxicos torna-se essencial para a prevenção de pragas (a abuso de agrotóxicos é ainda maior quando há o uso de sementes transgênicas resistentes ao produto químico). Concluímos também que a monocultura é explorada para fins de produção e venda em larga escala, além de estar muito mais ligada ao agronegócio e a agroindústria do que ao consumo alimentar em si, fazendo com que, na maioria das vezes, seja uma cultura realizada para suprir o mercado externo. Adimitimos reconhecer a importância da monocultura para a economia brasileira. O problema é o monopólio que vem sendo criado nos últimos anos em favor deste tipo de produção e que vem avançando sobre o espaço da chamada "população camponesa". Isso gera problemas graves, pois é essa concentração de agricultores familiares que alimenta não só os grandes proprietários como o Brasil inteiro, pois a população não poderia sobreviver de cana-de-açúcar, soja, laranja e eucalipto. Desmentimos então nossa hipótese de que todos os produtores rurais seriam favoráveis à monocultura, mas confirmamos a hipótese de que a monocultura traz inúmeros benefícios para o produtor do ponto de vista econômico (desde que ele pudesse mantê-la) mas gera problemas sociais e para o meio-ambiente.

Questio
nário aplicado no Assentamento Sumaré e na Fazenda Santa Elisa:

Perfil do entrevistado:
Nome:
Idade:
Profissão/especialidade:
Sexo:
Há quanto tempo exerce sua função:
Onde nasceu:
A família é natural do campo ou imigrou? Se imigrou, você sabe qual foi o motivo?

Perguntas:
1) Quantas espécies são cultivadas? Quais?
2) Você acredita em desvantagens que haja na monocultura? Você diria que ela prejudica a fertilidade e produtividade do solo?
3) E quais são, para você, as vantagens da monocultura? Você acha que ela é importante? Por quê?
4) Você acha que a monocultura tira o homem do campo, ou seja, é responsável, de certa forma, pela emigração do campo?
5) Qual você acha que é a importância da agricultura familiar?
6) Você acha que a policultura tem vantagens sobre a monocultura? Quais?
7) O trabalho em geral é feito manualmente ou com máquinas?
8) Se há utilização de máquinas, isso agiliza o processo de cultivo? Na sua opinião, quais são as vantagens da utilização de máquinas?
9) Há utilização de sementes transgênicas?
10) Se sim, quais as vantagens/desvantagens disso?
11) Você acha que aconteceram muitas mudanças no campo na última década? Quais? Por que você acha que elas aconteceram?